sábado, 14 de setembro de 2013

Crônica: Desabafo de um homem.

Sábado, 14/09/13


Desabafo de um homem! 

Tenho uma queixa a fazer, faz tempo que você não sabe o que é cuidar, proteger e amar! Se é que algum dia você soube. Sempre me abandona nos momentos em que mais preciso de ajuda; não há efeitos paliativos, mas chá que me acalme, nem canetas e papéis suficientes para depositar neles tudo o que deve ser dito, encontra partida, me tranco, finjo, fujo, minto, não para você, para mim mesmo. Transformo-me quase num ser invisível, olha só o que você faz comigo?  Afinal é isso que chamas de amor? Se for, por favor, Deus me livre disto! Antes só que iludido, inerte, entregue, a mercê de um ser que sequer sabe do que gosto, que penso e sinto! Não enxerga um palmo diante do nariz por que a vaidade não lhe permite, pois só tem olhos pro seu próprio umbigo! Esquisito! Abominável esse tal de egocentrismo! É a tua cara querer aparecer a qualquer custo, ser sempre o centro das atenções, atrair multidões, todos os olhares pra si. Em suma, se exibir nesses modelitos, que deixam todos atônitos, de queixos caídos, babando, em fúria, cheios de vontades de te possui. Acho que eu nem preciso dizer o que penso, nem como eu me sinto. É difícil de explicar, um misto de sentimentos, sei lá, acho que estou perdendo o bom senso, normal devido ao que estar acontecendo. Se por um lado sinto prazer, orgulho de si e de mim mesmo ao desfilar contigo, como a um troféu exibindo-a aos “amigos” e conhecidos, por outro me sinto como um cão sarnento, abandonado pelo seu dono, entregue a própria sorte; me poupe. Sinto que estou te perdendo, aos poucos as forças esmorecendo, morrendo, esquecendo, as lágrimas que outrora escorriam como cachoeira das pálpebras dos meus olhos, agora inexplicavelmente estão secando, é óbvio que ainda te amo, apenas não sei de que forma nem até quando, pra ser sincero nem estou muito me importando, só saberei com o passar tempo. Bem feito, quem mandou esnobar-me, e julgar-se um ser perfeito. É eu sei às vezes o amor dá medo, difícil controlar, pior, separar verdadeiros sentimentos com simples desejos. Às vezes dá uma dor, angústia dentro do peito, coração batendo forte e acelerado, sintomas de enfartado, mas com o tempo você percebe que tudo isso é medo. Insegurança. Parece uma doença crônica, corroendo seus pensamentos, uma espécie de vírus comendo você todo por dentro; o pior é que você me viciou nesses pormenores, eu sinceramente não entendo. Por mais que você me tire o fôlego e à paz, continuo te querendo sempre e mais.  Só aumenta gradativamente. Devo estar louco mesmo, pois, quem além de mim conversa com a própria mente? Quem anda falando sozinho e gesticulando com as mãos feito um demente? Maluco, quem em sã consciência a de ti dá razão e ficar do seu lado? Só outro sem noção e pirado. Será que existe algum antídoto que me torne imune a esse turbilhão de sensações: quem sabe se eu arrancar de vez o meu coração e atirar-lo aos cães ferozes e famintos ou o transpasse com um punhal bem ao centro? Não posso, lamento, é que ele já não me pertence mais! Afinal, por que é que os corações não são iguais? 

http:// adilsonconectado.blogspot.com/ 

Reações:

Um comentário:

  1. Oi Adilson! Isso é um tremendo desabafo mesmo. Há amores que causam tanto sofrimento que é melhor não tê-los. Mas, penso, que o problema está na entrega despretensiosa de certos corações, que só porque amam exigem ser amados também, só porque protegem e cuidam, reclamam cuidado e proteção.
    Algumas plantas, para que floresçam ou frutifiquem precisam ser podadas com jeito, para que elas não morram, mas aprendam que possuem limites e que eles são aquilo que justamente lhe dão o devido valor.
    No mais, é ilusão e pretensão!
    Um grande abraço!

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