quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Crônica: O Carnaval de Itabaiana - PB.

Quinta, 16/02/12.

                                                            Crônica: O Carnaval de Itabaiana - PB. 

(Sábado 11/02/12), com o tradicional bloco de Zé pereira, deu-se inicio a abertura do carnaval de Itabaiana-Pb; conforme manda a tradição, diversos blocos carnavalescos, entre os quais: Nó cego, os quebrados, bloco da saudade, virgens, pirão, kengas do pato, escolas de samba, índios, ursos e bois foram até ao antigo posto fiscal juntamente com milhares de foliões, dá as boas vindas ao Zé Pereira; partindo pela 13 de maio, encerrando enfrente ao pátio da igreja. Durante o seu trajeto, homens, mulheres, adultos e crianças, ficaram se espremendo, compartilhando pequenas partículas de espaços, para ficar mais perto do Zé pereira. Porém tanto os foliões, quanto o próprio Zé, quase que teve explodidos seus tímpanos, com os vários paredões que ali se faziam presentes. Por mais que se esforçassem batendo forte suas baquetas nos surdos da(s) escola(s) de samba, os componentes da(s) mesma(s) pouco se faziam ouvir. Bons tempos aqueles de outrora, em que os foliões desciam a rua treze apenas ao som do batuque dos blocos carnavalescos. Pelo andar da carruagem, não me surpreenderia se chegar o fatídico dia, de não ser mais necessário a sua subida. Aliás, é bem provável que muito em breve deixem de existir. Serão apenas paredões, arrastando o Zé e os foliões, ladeira a baixo até o pátio da matriz. Não vejo graça nenhuma nisso. Sou um saudosista convicto, adepto dos antigos carnavais de rua, dos desfiles de escolas de samba, ursos, bois, índios, e das disputas que entre ambos havia. Onde ensaiavam durante meses, confeccionavam suas fantasias, para ter seus minutos de fama, exibindo-se para o público que se fazia. Sem esquecer-se de mencionar as viagens que fazíamos para desfilar nas cidades circunvizinhas; era muito divertido ver e fazer parte de tudo isso. Hoje a abertura do carnaval de Itabaiana-Pb com o bloco de Zé pereira, resume-se apenas paredões, fazendo muito barulho, numa disputa exagerada de super egos, e de poder aquisitivo. Silenciando a tradição dos bons e antigos carnavais, através do barulho e do grito. Daí por diante, serão apenas oito dias até o inicio das festividades carnavalescas, que muito deixa a desejar se comparado aos das décadas de 80 e 90; Aquém diga que as décadas anteriores a estas eram ainda melhores, mas a respeito delas nada tenho a acrescentar, aos relatos de meus avôs e idosos da época. Nada mais resta a fazer a não ser lamentar, guardar na memória resquícios da nossa historia, que com o passar dos tempos tem-se escoado por nossos dedos, feito areias da praia e água da pia, e assim como Poncio Pilatos, lavar-mos as nossas mãos, cobrindo com elas as nossas vistas. E, como conseqüências, a cada ano que passa menos agremiações na avenida, foram-se: os blocos: caras, canibal, rebeldes, só quebrança; muitos outros hão de surgir e sumir no decorrer da vida. Bons tempos que não voltam mais, aqueles que tinham como trilhas sonoras, as marchinhas de carnavais. “ô balancê balancê” de Gal costa, “Banho de cheiro” de Elba ramalho e “coisinha do pai” de Beth carvalho; regadas a muito talco e lança perfumes, confetes e serpentinas; hoje bebidas alcoólicas, loló, maconha, colas, faca peixeira, revolver 38 e muita porrada pros mais afoitos. Torço para que os carnavais de hoje sejam tão bons quanto os de antigamente, unindo o tradicional e o moderno, preservando as nossas raízes, culturas e memórias. A exemplo das escolas de sambas: beija-flor do saudoso Zé Dudu, da qual tive o prazer de ser um de seus componentes, da imperatriz leopoldinense e última hora, da bagaceira saindo da na Rua João Feliciano de luna, lugar onde passei a minha infância querida; dos carros da zebra, dos bailes de fantasia, dos bailes azul e branco na AABB, e vermelho e preto no Itabaiana clube. Os únicos remanescentes e que mudaram, e para melhor; foram o bloco nó cego, antes muita bagunça generalizada, arruaceiros, violência aos extremos, pessoas mal intencionadas com bombas de lama, urina, fezes e mãos sujas de graxas; hoje é exemplo e modelo, dá gosto de ver: pai, mãe, filho, filha, pequenos foliões, embalados ao som das marchinhas de carnavais, e orquestras de frevo; hoje podemos dizer que, o bloco nó cego, é o bloco da família. E as virgens, sinônimo de irreverência, liberdade e criatividade e ousadia. Ou seja, o bloco das virgens é só curtição e alegria. Outros blocos também hão de sair na avenida: o bloco do pirão, os stourão, as quengas do pato, bloco dos quebrados e da saudade, mistura folia, presepeiros, amigos da13 de maio, concentra + não sai, VITA VAI !, Etc. e tal. Em suma, seja você ou não folião, goste você ou não de folia, torça para que este ano carnaval seja na mais perfeita harmonia. Que haja paz, serenidade, tranqüilidade, romantismo, nostalgia. Que os foliões tenham capacidade de discernimento, lembrando-se que carnaval tem todo ano, enquanto que a vida só tem uma, e quem perder-la, não terá como substituí-la.
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