Sábado, 30/06/12.
Eu não sabia que sabia dançar!
Sempre fui uma pessoa muito
tímida, introvertida. Um sem noção, na arte de namorar. Quando gostava de uma
garotinha, ficava apenas rondando, e nada de coragem pra com ela falar.
Lembro-me de uma vez que fui convidado por um amigo pra ir a um baile, e quando
ele convidou uma menina e me apresentou sua amiga (da menina) ela então me
chamou pra dançar; na hora sentir um frio na barriga, um medo danado, não sei
nem onde arranjei coragem, mas dessa vez, decidir encarar meu carma e com ela
fui “dançar”. Coitada da garota fez um esforço danado, tentou de todas as
formas me fazer dá os primeiros passos, e, nada de eu lhe acompanhar. Foi um
desastre, como tentar tirar leite de pedra, e nem uma lasquinha a faiscar. De
tanto tentar, ambos acabamos desistindo, não preciso nem falar que a noite pra
mim foi horrível, e daquele dia em diante, eu vivi a mercê do quase, um cheio
de intenções, de vontades, mas na hora do vamos ver, faltava-me sempre a
coragem de novamente os primeiros passos ensaiar. Sempre achei que dançar fosse
muito difícil; afinal, porque é que todos conseguem e eu não consigo, se são
apenas dois pra lá e dois pra cá? Muitas foram às vezes que fui ao baile, com o
intuito de aprender a dançar. Mas quando lá, o medo voltava a me dominar. Lembro-me
que não foram poucas às vezes em que eu fui aos bailes, com o objetivo de
aprender a dançar, bebia a noite toda, ficava bêbado e cadê coragem de tirar
uma menina pra dançar. Voltava pra casa resmungando, só lamentando, por mais uma
vez sair sozinho, e ninguém descolar. Mas, assim como diz o velho ditado: “Deus
tarda mais não falha!”, e quando menos se esperava, eis que eu aprendi a
dançar. Lembro-me como se fora hoje, foi num show no Parque Cauboy, nos embalos de
sábado à noite, que eu dei meus primeiros dois pra lá dois pra cá. Foi uma música
da banda desejo de menina, época dos irmãos Leno e Leo e da Mirella Sales como
vocalistas. Infelizmente não lembro exatamente da música, todas eram lindas, eu
como fã, sou suspeito a falar. Ainda tinha a mastruz com leite, primeiro show
da banda sem a Cátia Cilene como vocalista, pra minha infelicidade, uma vez que
eu era também seu fã, sem esquecer o Victor e Leo, dupla que estava à época no
auge. Estava se caminhando pra mais uma noite daquelas, eu cercado de mulheres
bonitas, somente olhando, e bebendo, sem ficar com nenhuma delas. Até que meu
irmão "dindo" a par da situação cochicha com a sua noiva "ed" ao pé do ouvido, e pede a ela pra
me tirasse pra dançar, eu sei que era eu quem devia chamar, mas, o que fazer, se
eu ainda não sabia dançar? A principio relutei um pouco, mas, de tanto ela
insistir, e convenhamos, de tanto lá no fundo eu querer, decidir topar. No
inicio eu estava um pouco duro, mas, conforme o tempo foi passando, a bebida
foi me anestesiando, e eu comecei a me soltar. Fui ganhando confiança, essa é
uma feliz experiência, ainda que eu viva mil anos, sempre vou com detalhes
lembrar. Dancei a primeira, a segunda e a terceira, perdi as contas de quantas
músicas com ela eu vim a dançar. Dancei até mais que seu noivo, mas esse
aparentemente parecia não se importar, era notória a felicidade de todos,
especialmente a minha, ao descobrir que sabia dançar. Hoje quando chego num
baile, vou logo procurando alguém com quem eu possa bailar rodopiar pelo salão,
se bombear não largo mais dela não, e fico com ela, até o baile acabar. Mas se
não der, já me dou por satisfeito por ter sido minha parceira no forró
eletrônico, pé de serra ou bate esteira, largo dela, e vou logo procurando
outra parceira, pra dançar e, algo mais. Agora que não preciso mais encher a
cara para me aproximar de uma garota, percebo a importância da dança para se
socializar. Ela é fundamental não só para o condicionamento físico, mas também
o emocional e o psico. Faz bem a alma, o coração, no convívio social com outras
pessoas, e no relacionamento afetivo, uma vez que é na dança que tudo tem
inicio, quando se desperta o interesse físico, a química, a atração, e,
consequentemente a relação, ou não. Se existe uma coisa da qual tenha eu que
lamentar acaso alguém viesse me perguntar, dentre tantas/ inúmeras coisas,
certamente eu diria, não ter aprendido antes a dançar! Não sou nenhum Carlinhos
de Jesus, mas, no meio do salão, hoje, danço mais que dois pra lá e dois pra
cá. Se você não acredita, é fácil, é só aceitar quando eu lhe tirar pra dançar.
E aí, vai encarar?Rsrsrsrs...
Adilson Adalberto
Adilson Adalberto
