sábado, 1 de setembro de 2012

Conto: Amor além da vida!

Sábado, 01/09/12. 


                                                Amor além da vida! 


Subitamente subiu aos céus aquele cujo coração era como um menino. Desceu ao sepulcro, não lhe restou nada a fazer, deixou de existir, e também de sofrer, partiu para outro plano, outra esfera, onde o espírito prevalece sobre a matéria. Lá não há esposo, esposa e nem filhos, apenas espíritos adormecidos, esperando o juízo final, a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!
Foi-se para um lugar bem distante, para onde nossos olhos não podem ver, nem nossas mentes imaginar, como é ser depois de morrer. Seu pior pesadelo finalmente veio à tona. Ela, a morte, bateu a sua porta, pediu-lhe carona. Fincou suas garras, fez mais um de suas vítimas, desceu-lhe á cova, não lhe deu nenhuma alternativa.
Porém Mesmo sendo fraco, ele se mostrou forte, aceitou sua sorte, no seu leito não temeu a morte, despediu-se de todos os seus familiares, seus entes queridos, a uns fez recomendações, a outros, pedidos.
E pela última vez olhou tudo em sua volta, a casa que por todos os seus anos de existência fora seu abrigo. Ali ele casou-se, e foi morar com a mulher de seu destino. Ali também nasceram e cresceram seus dezoitos filhos, nove meninas e nove meninos, frutos de uma história de amor, que o tempo não apagou, e nem a morte irá extingui-lo. Ali ele também envelheceu, e nem sequer percebeu, que o tempo era seu maior e pior inimigo.
Agora as vésperas de sua partida, as marcas do tempo se fazem presente por toda a extensão de seu corpo- resquícios de sua dura vida.
Finalmente as experiências vivenciadas ao longo da vida fizeram-lhe entender, que seu maior tesouro não eram seus bens materiais, adquiridos com muito esforço, frutos de seu trabalho diário, literalmente expelido com sangue, suor e lagrimas do rosto, que porventura iriam ficar para esposa e seus dezoito filhos; mas, os valores morais, religiosos e éticos, cultivados no âmbito familiar da primeira a quarta e ultima geração, da qual ele foi personagem principal, e não coadjuvante.  
Agora que já estão todos crescidos, donos do próprio nariz, e umbigo, e bem sucedidos; resta-lhes apenas seguir os ensinamentos e exemplos, por ele proferidos. Ser um modelo de pai de família e marido, como o patriarca da família, missão difícil, mas nada impossível.
E assim, com a sensação do dever cumprido, celebrando seu centenário com toda a família reunida, dando muitas risadas contando muitos causos de sua infância querida, quando sorrateiramente é surpreendido pela presença inimiga; e, percebendo que já é chegada a hora de sua triste e inevitável partida, agarra bem forte a mão de sua amada, a namoradinha de infância, companheira de toda sua vida. Conhecendo-o como a si mesmo, olhando fixamente em seus olhos, e não vendo mais o mesmo, suas mãos apesar de segurá-la firme, parecia uma pedra de gelo, quando todos se deram conta, unanime foi o desespero. O que antes era só alegria, agora se transformou numa eterna agonia, como em roteiro de filme trash. Gritos por socorro, soluços, choros, berros, ao ponto de chamar atenção, de todos que estavam por perto. Sacolejavam seus ombros e braços, tentando reanimá-lo, deixá-lo de olhos abertos. E em meio a todo aquele desespero, por incrível que pareça ele era o único sereno e tranquilo- Jesus era consigo; como durante toda a vida quis demonstrar força, mas naquelas alturas, a sua já não era lá essas coisas, e mesmo cansado com voz arrastada, a todos pediu calma, que teriam que se conformar, por que já era chegada a sua hora. Recusou ir a hospital a procura de médico, por que tinha certeza que era perda de tempo. E mesmo contra a vontade, eles respeitaram seu ultimo desejo. Já em seu quarto, deitado ao lado de sua alma gêmea, contemplou cada um que se fazia presente aos pés de sua cama. E pela ultima vez em seu leito de morte, abençoou cada um dos membros de sua sagrada família: esposa, filhos, filhas, netas, netos, bisnetos, tataranetos, noras e genros dizendo-os que os ama. Com muita dificuldade olhou para a esposa como que agradecendo, por ter vivido com ele todos esses anos, por ter tido paciência consigo, e principalmente, por ter lhe dado lindos filhos. Mas a essa não precisou lhe dizer nada, sequer uma só palavra, pois em seus olhos ela já tinha lido. Apenas fez um breve sinal, como que dizendo não chore, não importa o que aconteça, eu estarei sempre contigo. Ela, porém como que tendo entendido, beija pela ultima vez seus lábios, e no auge de seus 96 anos de vida, diz um até breve, meu querido, logo estaremos juntos n’outra vida. Promessa feita, e já a certeza de que um dia irão se encontrar em outro mundo, ele adormece sorridente de modo eterno e profundo, partindo deste para outro mundo, a esperar pelo amor de sua vida.  

Adilson Adalberto

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Um comentário:

  1. Oii amigo, passando anotando a dica que parece ótima mesmo pela sua narrativa, parabéns, aproveite bem o feriado! E mais uma vez obrigado pelo carinho e presença! Abraçoossss

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