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quarta-feira, 6 de março de 2013

Conto: Um sonho - Essa minha vida de casado!

Quarta, 06/03/13. 



Conto: um sonho - essa minha vida de casado!

Me telefonou dizendo: - oi amor, que saudades, como estás? Nem deu tempo de eu raciocinar, só de abrir os olhos e ver no relógio que já era tarde, muito tarde! Ficamos ao telefone horas e horas, eu só escutando e ela falando, parecia uma metralhadora giratória, nem parava pra respirar, o tempo todo tentando se justificar, o motivo por que decidiu ir embora, me abandonar. Noutros tempos eu ficaria eufórico querendo saber de quem foi à culpa e o motivo da ida, hoje era mais curiosidade que qualquer outra coisa, já não tinha mais esse estigma, por isso não a interrompi, e mesmo que tentasse, não teria sucesso, quando finalmente parou, eu já não sabia o que era certo, nem me dei ao trabalho de me indagar. Tentei lhe dizer algumas coisas, balbuciar algumas poucas palavras, mas receio que qualquer coisa que dissesse, qualquer coisa que eu fizesse, não adiantaria nada, ela sabia como ninguém me deixar sem palavras. Adorava quando ela colocava o dedo indicador nos lábios fazendo sinal de silêncio, melhor ainda, quando ela colava sua boca na minha, e com a sua língua deliciosa simplesmente me imobilizava, eu nem reagia, só flutuava, viajava por mares dantes navegados, ali, ao seu corpo atrelado, juntinhos, abraçados, o mundo poderia acabar que eu não estava nem aí para o fato. Se eu morresse, que fossem do seu lado, amantes, eternos apaixonados! Pena que isso ficou no passado, agora tudo que resta são palavras, frases soltas no vento e espaço, nenhum diálogo. Onde foi que erramos, por que foi que esquecemos as palavras ditas no sermão do padre: “até que a morte os separe”?  Finalmente o silêncio reinou absoluto, de ambas as partes, não por que um de nós pediu ou impôs, não foi esse o caso, como se ambos tivéssemos novamente em uma mesma frequência e/ou sintonia, e fizéssemos a mesma pergunta pra nós mesmos, e sem saber ou querer entender a resposta, ficássemos profundamente angustiados e lamentássemos:
- Por que acabou?
- foi bom enquanto durou? 
- Por que durou tão pouco?
- haveria alguma chance de ter volta, por mais remota? E a mais importante,
- você ainda me ama?
Essas eram as principais perguntas que permeavam a nossa mente, e como quem cala consente, não viramos á página, não dissemos nada, apenas deixamos em aberto, o silêncio foi quebrado com o apito do guarda e o cantar dos galos, pensei ter ouvido-a dizer alguma coisa, por isso disse-lhe:
- fala, ela disse-me: - nada, esquece.
Pediu-me desculpas por ter me acordado, e eu não me fiz de rogado, deixei-lhe bem claro que estaria sempre disponível na hora que precisasse, pena que não estivéssemos no BBB, senão todos poderiam ver a cara de apaixonados, tava tudo muito nítido e claro que ainda nos amávamos, e para nos unir novamente, só faltava que alguém desse o primeiro grande passo. E quem será que vai dá o braço a torcer? Só Deus é quem sabe. Orgulho ferido de macho é difícil de ser curado, quando ela me deixou e foi embora sem me uma só palavra, a minha vida ficou estagnada, completamente parada, ficou valendo menos que nada, ela era sem dúvidas a mulher da minha vida, a comida, a bebida, a amante, a amiga, a minha confidente, e não mais que de repente tudo mudou, foi-se a amizade, o carinho, o respeito e o amor que outrora eu julgava ser pra sempre, desde então o chão se abriu, meu mundo caiu, não sentir mais meus pés no chão, perdi a vontade, a fé, a razão, a noção, os meus batimentos cardíacos pareceram ter desaparecido, até que ela me ligou e devolveu-me a alegria, a alta estima, e a esperança por melhores dias, a paz de espírito; finalmente você me disse:
- desliga, e eu:
- não, desliga você.
Ficamos nessa troca de gentileza, e o dia já quase clareando, quando finalmente combinamos que desligaríamos juntos, aí contamos: um, dois, três; e o telefone ficou mudou. Adormeci, e só acordei com o despertador tocando, era chegada a hora de levantar e me aprontar pra ir pro trabalho, e como num piscar de olhos, viro-me bem rápido, ufa! Foi um só pesadelo, ela estava ali, como sempre, linda, seminua, em meio às cobertas, usando apenas uma calcinha minúscula preta e minha camiseta regata amarela, da qual se apossara e tinha o hábito de só dormi vestindo ela. Graças a Deus foi alarme falso. Pronto e já de saída, me curvo na cama e dou-lhe um beijo nos lábios da minha bela adormecida, meu Deus como ela é linda, foi preciso um esforço sobre-humano pra não dá meia volta e me desfazer daquele amontoado de roupas, e passar o dia inteiro com ela, na cama, pelados, amando-se até não ter mais forças. Mas precisava trabalhar ganhar o nosso sustento, lamentei profundamente não poder parar o tempo, assim eternizava aquele momento, eu e ela embaixo dos cobertores, abraçados, perdidos no tempo, sem lenço e sem documentos; e quando lhe dou as costas, ouço a canção que embalava meu sono, e que me faz flutuar no cosmos, sua voz sussurrando-me baixinho:
- bom dia, amor!
- bom trabalho!
- pense em mim tá!
- te amo!
- Eu também, volte a dormi, - dizia-lhe enquanto trancava a porta, e me dirigia ao trabalho.
Feliz da vida por tê-la como esposa, e ser pra sempre o seu amado! 

Adilson Adalberto


Reações:

Um comentário:

  1. Olá amigo, que bom que neste caso a separação foi só um sonho rsrsr eu já me separei uma vez mas por que eu quis, hj qdo penso em separação sinto até um frio na espinha e um buraco no estomago kkkkk nem pensar rsrs muito bacana o conto amigo! Qdo puder passar no blog estou lá pedindo apoio a um amigo tá! Abraçossss

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