Sábado, 27/04/13.
A arte de Filosofar.
Aconteceu outro dia mesmo. Acordei entediado com a
vida e comigo mesmo, odeio rotina, quero fazer coisas novas, diferentes todos
os dias. Mas na prática, não é isso que acontece sempre, infelizmente. A vida
já é uma rotina em si, o ato de dormir e acordar, escovar os dentes, tomar
banho, tomar café da manhã, estudar, trabalhar, voltar, almoçar, jantar,
assistir TV, ler, ir para o PC, escrever sabe lá Deus sobre o quer, dormir,
todos os dias é assim, não dá mais para aguentar. Queria fazer coisas novas, viver
um dia de cada vez, viajar, sair por aí sem lugar pré-definido pra
parar/pousar, sem obrigações, ocupações que possa facilmente me entediar. As
horas passam, dias, semanas e o mês também, e só preocupações com contas pra
pagar. É um ciclo vicioso, interminável, não dá mais para aguentar. O tempo
passando, a vida se findando e a gente nem consegue notar, e quando se dá
conta, é tarde demais pra mudar, a sua vida chegou ao final e você nada pode
fazer a não ser lamentar. Quem foi que disse que a vida é bela? Só se for em
outro planeta, não no planeta terra, aqui é só trabalho de sol a sol, sem
reconhecimento pelo esforço diário, isso quando não se estar desempregado, sem
ter uma alma sequer para lhe ajudar. Essa é que é a realidade, ninguém se
importa com você de verdade, se comeu ou estar com fome, se com saúde ou
doente, e se tem um lugar onde pô a cabeça para descansar. Estamos no mesmo
barco, mas a impressão que dá, é que estamos no Titanic, onde cada um empurra o
próximo oceano adentro para se salvar, nem se dão conta de que todos terão o
mesmo destino, pobre ou rico, um dia terão que aos pés de Deus se prostrar, e
prestar conta de seus feitos, crentes ou céticos, não há para onde fugir nem
como escapar, há sua hora vai chegar, mas quem se importa? Ainda estamos vivos,
aparentemente bem dispostos, saudáveis, trabalhando, ganhando, comprando, a
morte é só uma incógnita. O que realmente importa mesmo é o dinheiro e o que
com ele podemos comprar. Carro, moto, casa bonita, relógio chique, perfumes da
natura e boticário, que Sá importados, sapatos caros e de marcas, roupas de
grife, seria cômico se não fosse triste, mas a vida pouco importa, o homem (ser
humano) vale pelo o que tem, e não pelo o que é; quem se interessa com o que
ele tem por dentro, seus sentimentos, se a sua aparência é uma droga? O que
conta mesmo é o estereótipo, o resto é supérfluo. Capacidade, inteligência,
talento, disposição para pegar firme no batente, disponibilidade para aprender,
tudo isso são meros detalhes, na hora de arranjar trabalho. Que me desculpem os
mais feios, mas beleza é fundamental, diz um adágio popular. Disso ninguém pode
duvidar. O mercado de trabalho estar atrás desse tipo de “profissional”,
apostam na aparência como diferencial da sua empresa no mercado de trabalho.
Não é a toa que as empresas de cosméticos investem pesado nesse segmento para
esse público alvo cada vez mais crescente a conquistar. Dizem que coração
humano é terra que ninguém anda, eu diria quem se importa? As pessoas são cada
dia que passa mais produtos do meio em quem vivem e da mídia, vivem lotando
academias em busca do impossível – um corpo perfeito. Usam até de algumas
artimanhas para abreviar a longa jornada, e conseguir êxito da noite para o dia.
Cirurgias plásticas tem sido na prática, o elixir da longevidade, já não se
sabe mais quem é de idade ou jovem. Boto xi, redução de estomago, silicone nos
seios e na bunda, tem tornado a mulher ainda mais desejável e atraente ao sexo
oposto e até pessoas do mesmo sexo, agora que virou moda; aguçando e aflorando
os seus desejos mais carnais e ínfimos, a chamada indústria do sexo, cada vez
mais efetivo. É a tal da Seleção Natural, da qual falava o naturalista inglês Charles
Darwin, em meados de 1800, é óbvio que não nesses termos, mas dá no mesmo. Onde
impera a lei do mais forte, e só sobrevive o mais bonito e perfeito, os que
tiverem fora desse padrão, serão eliminados com o passar dos tempos. Se
realmente de fato somos todos iguais perante Deus, então por que muito de nós
se sente excluído, rejeitado, deformado quanto à criação, enquanto que alguns
de nossos semelhantes consideram-se seres perfeitos? Por que é que existem
pobres e ricos, doentes e sadios, brancos e pretos? Por que é que uns moram em
mansões enquanto que outros não têm onde morar e dormem ao relento? Por quem é
que uns passam fome enquanto que outros comem banquetes? Por que é que uns
andam a pé ou de busão enquanto que outros têm carrões? Essas e outras
perguntas não querem calar, permeia a minha mente desde que me entendo por
gente. “Afinal, aonde é que estar à igualdade dos chamados “seres humanos”,
“marcados da promessa” “herdeiros dos céus” e “filhos de Deus” que na prática
não se tem notícias”? O homem não se comunica, se trombica, já dizia chacrinha;
mais se odeia que se ama. Está em constante e avançado estágio de destruição em
massa, a mulher é vista como objeto de desejo e produtos do sexo, culpa delas
mesmas que não se respeitam, e os filhos gerados desse infortúnio humano e
carma, não se respeitam nem a seus pais, vivem como perfeito animais
irracionais, agindo por instintos, usuários de drogas licitas e ilícitas,
alienados pelas mídias, entregues a própria sina, vitimas de si mesmo, assim é
a vida. Como se não bastasse, ainda tem a morte, que falta de sorte de ter
nascido, antes tivesse morrido no parto, ou não tivesse vingado durante os nove
meses do período gestativo, teria retornado ao limbo, nascer pra quer, fazer o
quer? Só dá trabalho e servir de pedra de tropeço na vida de nossos
progenitores, ainda muito cedo damos trabalho, esquecemos nossos valores, vamos
na cabeça dos outros feito piolhos, e pagamos um alto preço pelo passo em
falso, e quando pensamos que aprendemos, cometemos os mesmos erros, de novo.
Sabemos que errar é humano e permanecer no mesmo é burrice, tolice, o homem
erra mesmo tentando acertar, estar no intrínseco no seu DNA, fazer o quer?
Melhor é deixar rolar, somos herdeiros de Adão, pecar é como respirar, um ato
involuntário, que culpa temos nós se nossos primeiros pais resolveram
desobedecer, por que é que eu tenho de carregar esse fardo pesado, tendo por
salário a morte, se eu nem estava lá? Eu não pedir pra nascer, por que é que
tenho que ser condenado? Cansado, chega, não quero mais pensar, raciocinar, todo
esse esforço me deixa exausto, não vou mudar o mundo, então pra quer dá murros
em ponta de facas? Tudo é mera ilusão, não passam de uma farsa, dúvidas tenho
muitas, respostas, muito poucas ou nenhuma. Aprendi que a vida é muito curta,
pra desperdiçarmos com coisas banais e poucas, e só o que é mais importante é
que pode se levar em conta, o resto deve ser jogado fora, felicidade é já, aqui
e agora!
Adilson A. da Silva.

