Domingo, 04/05/14
Ah que saudades que eu tenho da
minha infância querida, da doce inocência, dos melhores anos de minha vida!
Jogar bola, soltar pipa, atirar de baleeira, brincar com bolas de gude na areia,
rodopiar pinhão, descer em carrinhos de rolimã a ladeira, tomar banhos de chuva
e de bica, brincar com bonecos de barro, por mim confeccionado, retirados de um
canteiro ao lado na beira da linha; chupar carambolas docinhas, surrupiadas do
quintal da vizinha; comer castanholas fresquinhas, caídas do pé em frente a
nossa antiga casinha; balançar-me numa rede tomando um delicioso vento na face;
assistir um belo espetáculo da natureza no fim de tarde na nossa arvore - a
chegada das andorinhas, oriundas de diferentes partes.
Incrível, deixava não só a mim,
mas a todos que por ali circulavam, sem palavras... Boquiabertos, com aquela
orquestra super/hiper afinada! Pena que naquela época eu não tinha nenhuma digital
do lado, aliás, nem sei se na década de 80 havia sido inventada, pouco
provável, senão, com certeza eu as teria registrado, ou não, por que eu era
apenas um pirralho!
Nossa, que
lindo cenário! Quando me recordo daqueles momentos, fico até emocionado! Melhor
que o presente era o passado! Como que eu pude ser tão desligado? Eu era feliz
e sequer havia notado! Hoje eu me pego a pensar, por onde andará aquelas
andorinhas? Pelo tempo, certamente já devem estar mortas, mas não importa,
ficarão eternizadas em minha memória! Assim como também ficarão registradas, as
pedradas que alguns miolos moles contra elas atiravam; assustadas, muitas se
mandavam, poucas ficavam, mas n’outro dia, tanto as que iam, quanto as que
haviam ficado para dormir retornavam! Ressurgiam como a Phoenix!
Ainda muito pequeno e sem
entender nada, lembro-me que fazia aquela carinha de criança assustada, sempre
que a chuva era pesada, e os relâmpagos riscavam o céu, e os trovões faziam
aquela barulheira danada, minhas avós nem se fala; cá pra nós, sinto falta...
Das brincadeiras de se esconder enquanto o outro caça, de correr com os amigos pulando
calçadas e em volta das praças; da primeira namoradinha de infância - aquela
ingrata, como pode preferir ser só minha amiga, que a minha namorada? Mas nesse
caso, o tempo foi o anestésico pra minh’alma! É óbvio que não sinto mais falta dela,
nem sei por onde ela anda; se está viva, solteira ou casada; mas do turbilhão
de sensações e emoções que aquela “relação” naquele instante me causava: língua
presa, boca seca, pernas trêmulas, mãos e pés suados, taquicardia quando ela
avistava, das fantasias que com ela tinha, quando sonhando com ela acordado
andava; das melodias que pensando nela outrora escutava, da trilha sonora que
“nossa” história asa versa marcara, em fim, do primeiro beijo, que até hoje não
me esqueço, horrível, diga-se de passagem, que lástima!
Bom demais não ter que se
preocupar com nada, só estudar, ver TV e no fim de tarde com os amigos bater
uma pelada! Quisera eu entrar na máquina do tempo, e concertar algumas de
minhas burradas! Reconciliar-me com certa ex-namorada, aquela que foi a minha
vida, e não trair-la, conforme aconteceu quase á duas décadas passadas; ou então
correr pros seus braços, telefonar, deixar algum bilhete ou recado, mandar-lhe uma carta, pedindo-lhe perdão por tal mancada! Em suma, viver a vida intensamente,
aproveitando cada segundo, cada momento como se fora o último, porém sem chegar
ao cúmulo do absurdo de repetir sempre os mesmos erros, bater nas mesmas teclas
como num piano velho e quebrado, ou um violão desafinado, varrer como de
costume pra debaixo do tapete a poeira dos sapatos, por que conforme eu costumava
dizer no meu bom e velho ditado, isso não passaria de “filosofia vã e barata”;
mas, sepultar de vez o meu lado negro, virar de vez a página, reescrever de novo
a minha história, salvar em minha memória, apenas o bom que a vida tem pra dá, no
mais é deletar...
Ah se eu pudesse voltar... E fazer
tudo aquilo que não fiz. Corrigir os erros que cometi. Recuperar o tempo que
perdi. Certamente eu seria muito mais feliz, como nos meus tempos de guri, mas não
dá! Como dizia o poeta, o tempo não pára! Não dá para mudar o curso do rio, pois
a água corre só pro mar! Hoje eu sei que é inútil sonhar sem tentar realizar! O
certo é tocar a vida em frente, acreditando sempre, e ver Deus por quem será!

