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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Conto: Eu e minha noviça rebelde

Quarta - Feira: 26/08/15



Tenho que te confessar uma coisa: apaixonei-me por uma freira. Sim, verdade; fiquei completamente apaixonado, digo, enfeitiçado por aquela noviça. Linda. Meiga. Serena. Olhos de ressaca têm aquela pequena. Pecado? Que nada, quem manda ser tão linda aquela diaba. Desculpa, é que de santa ela não tem nada; apesar de usar aquelas roupas compridas. Pode parecer loucura o que digo, mas, mesmo usando o hábito, ela me excita. Quase pirei quando lhe vir pela primeira vez naquele convento. Fiquei encantado com aquela linda morena de olhos verdes – mata; voz doce, suave como a pluma leve do bater das asas de uma garça. O mundo pára. Tudo pára... Quando ela fala (coisa rara é ouvir-la. Além de linda é muito tímida). Ela é uma daquelas pessoas iluminadas, que ouve mais que fala. Que olha dentro dos teus olhos e, penetra fundo, dentro de tua alma; e não menos importante, te dá uma paz de espírito incrível, n’alma. Tanto que todas as vezes que a via, me dava uma vontade louca, de furtar-la e levar-la pra casa, e mesmo que não tivéssemos nada, só a sua presença certamente me passaria vibrações positivas. Ela é de uma dualidade incrível; ao mesmo tempo em que me eleva ao céu, me atira lá do alto, sem dó nem piedade, como a uma fruta madura fresquinha. Verdadeiro turbilhão de sensações, emoções e sentimentos, passa pela a minha cabeça naquele exato momento. A minha voz sumiu inexplicavelmente. Não me pergunte como, mas eu fiquei gago de repente. Mãos transpirando, pés saltitando, olhos lacrimejando num misto de pavor e encantamento, nas nossas sucessivas trocas de olhares. Sinto-me bobo, meio alucinado, fantasiando meios de um dia estar ao seu lado. Felicidade é algo inexplicável. Um alvo às vezes inalcançável, um sonho desejável, um território inimigo a ser conquistado, um salto no escuro, um olhar saudosista e fundamentalista pro passado, sonho de consumo de todos os apaixonados, diamante a ser lapidado, em suma, é estar diante de si, sentindo-se completamente realizado, por estar em mesmo ambiente que ela, ainda que de modo esporádico. É sentir o seu cheiro – ligeiramente suave e adocicado, tal qual o de terra molhada, num belo fim de tarde rural; e ouvir sua voz suave - no palco, como o cantar de um pássaro, num galho qualquer de arvore. Ah, se o Senhor pudesse ouvir minhas preces ou, quisesse; certamente eu seria o homem mais feliz do mundo, ao lado dessa noviça rebelde.
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