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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Crônica: água pro cão


Sexta - feira: 09/10/15


Dias atrás, tive uma grata surpresa, ao passar com alguns amigos, pela a casa da moça de número 170, na Praça Epitácio Pessoa. Sim, ainda há esperança pra humanidade tão predestinada e, fadada ao descaso e caos generalizado, pensei cá com os meus botões semi-arrancados. Há finalmente uma luz no fim do túnel, um motivo pra sorri, ainda que um sorriso amarelado, devido aos impactos causados pelas injustiças sociais /morais/culturais e a falta de perspectivas, das intempéries da vida. O ser humano, ser “evoluído”, da espécie - Homo sapiens (Homem que sabe), segundo os biólogos, a exemplo de Charles Darwin. Ironicamente, único homicida e suicida de sua linhagem, capaz de coisas surpreendentes e inimagináveis, como a que fez a moça da residência supracitada. Bem que poderia ser uma ação normal e rotineira entre os membros de sua raça, mas infelizmente é uma atitude isolada. Pois, nem todos estão preocupados com o seu próximo. Se com saúde ou doente, se alimentado ou com fome, se aquecido ou com frio; a grande maioria só estar mesmo preocupado, é com o seu próprio umbigo. Absurdo ver nos telejornais as pessoas morrendo a míngua, enquanto que outras passam por cima, indiferentes, sem lhes prestar os devidos socorros, como se quem estivesse ali, precisando de ajuda, não fossem gente. Agem como bichos. Pior que isso. Que me perdoem os animais “irracionais”, pela infeliz comparação, pois, salvo raríssima exceção, tão importante quanto o raciocínio, é o que estar inserido dentro do coração. Mas, poucos têm essa visão, deem-me a mim se tiver razão, ou não. Afinal, o homem é ou não produto do meio em que estar inserido?  Se for, estamos completamente perdidos; o homem é totalmente influenciável, maleável, superficial e condutível; uma verdadeira marionete, nas mãos das mídias e do “inimigo”. Se não, ele já vem com defeito de fábrica, em seu DNA, no gene – dominante ou recessivo, mas aí lhe dá o direito da dúvida, da prerrogativa de que não tem culpa sobre o seu destino; uma vez que já lhe foi traçado desde o ventre materno. Mas, onde ficam o livre arbítrio, que Deus lhe deu para seguir ou não seus instintos, discernir o bem do mal, o bom do ruim, o caminho certo ou errado a seguir? Como fez essa moça, que não deixou se levar por forças contrárias nem opiniões alheias, deixando em sua porta, uma vasilha de água pra que qualquer cão de rua beba; e não pra que leia, pois, ainda que a ciência tenha evoluído em demasia, ainda não foram dotados de tal inteligência. Que outros possam seguir o mesmo exemplo e, sejam dotados de tamanha sensibilidade e sapiência, não só o de deixar água num recipiente a sua porta para um cão sedento; mas o de servi e amar ao próximo como a si mesmo, conforme o primeiro grande mandamento. Dá comida a quem tem fome, água a quem tem sede, que seja em fim um ato espontâneo e não, uma tentativa de se alto – promover-se.


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